| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Aves |
| Ordem: | Coraciiformes |
| Família: | Alcedinidae |
| Rafinesque, 1815 |
Grupo encontrado em quase todo o globo terrestre, sendo de origem oriental. A maioria das espécies ocorre em zonas tropicais e subtropicais. Nas Américas tem poucos representantes e são encontrados da Terra do Fogo ao Alasca. Fósseis do Terciário Inferior na América do Norte e Europa. No Brasil foram encontrados fósseis do Pleistoceno, em Lapa da Escrivaninha, MG. ( 20.000 anos ).
Os representantes neotropicais têm aparência bastante homogênea, mas de tamanhos muito diferentes. Possuem o bico proporcionalmente muito grande, sendo capazes de regenerar grandes perdas da ranfoteca. A língua é curta e tem o pescoço curto. As asas têm o braço relativamente longo, sendo que as mãos e as primárias são encurtadas, ao contrário de outras aves que se precipitam na água para pescar; aparentemente movimentam as asas sob a água remando ou utilizando-as como leme. A cauda é de tamanho médio e os pés são impróprios para nadar, pequenos e de sindactilia avançada, ou seja, todos os três dedos anteriores estão unidos em sua bases, sendo que o terceiro e o quarto até a porção mediana. A plumagem é densa e lisa, bem justa ao corpo em adaptação à vida aquática. Tem dimorfismo sexual.
Sua voz de chamado e de alarme são semelhantes a estalos, podendo culminar em um matraquear estridente. Algumas espécies emitem uma estrofe quase melodiosa que corresponde a um canto.
Alimenta-se principalmente de peixes, mas comem também insetos e crustáceos. Quando pescam, pousam em um ramo isolado pendente sobre a água, em estacas ou fios de arame, com as penas nucais arrepiadas, as asas descaídas e movendo a cauda ligeiramente para cima e para baixo. Quando fixa a presa, dirige o bico verticalmente para baixo e precipita em sua direção. Pega a presa pelo bico e volta ao poleiro para engoli-la. Quando apanham uma presa maior, batem-na de encontro ao poleiro para matá-la e também para quebrar o esqueleto, as nadadeiras e eventuais acúleos de peixes, que são engolidos pala cabeça. Também podem pescar pairando em pleno vôo, a alturas que podem chegar a mais de 10 metros, e dirigindo-se obliquamente para a água de asas apertadas ao corpo. Quando alcança a presa debaixo d’água, abre as asas para frear sua propulsão, apanha o peixe e volta à superfície remando com as asas. A focalização da presa sob a água, que é dificultada pela refração, é facilitada pela existência de duas fóveas na retina, uma central e outra lateral, que possibilitam tanto uma visão monocular como binocular. Para proteger o globo ocular durante os mergulhos, são equipados com a membrana nictante, uma pele fina e transparente que protege o olho anteriormente. A pescaria é impossibilitada quando a água fica turva ou barrenta, ocasião em que comem principalmente insetos e crustáceos. Cospem pequenas pelotas friáveis que contêm espinhos, escamas e fragmentos de quitina.
Vivem aos casais. Nidificam preferencialmente em barrancos, de rios ou próximos a eles, mas podem utilizar também cupinzeiros e taludes de aterros ( p. ex. para ferrovias ). Cavam longas galerias tortuosas, de um a dois metros de comprimento, que se abrem em um alargamento onde são postos de 2 a 4 ovos arredondados e brancos, diretamente no substrato. O casal se reveza na escavação do ninho, que no final ficam com os bicos bastante gastos, defeito logo depois recuperado. O casal se reveza no choco. Os filhotes nascem nus, cegos e com a mandíbula maior que a maxila ( prógnato ), diferença essa que desaparece em torno de aproximadamente 11dias, devido ao maior crescimento da maxila em relação à mandíbula. Possuem também no tarso, um “calo” para se apoiarem no fundo duro do ninho, sobre o qual repousam. Os filhotes são alimentados com peixes pequenos; o interior do ninho em pouco tempo fica cheio de restos de comida, pois os pais não limpam o ninho, mas apesar disso os filhotes permanecem limpos.
Habitam a beira dos cursos de água, sendo que algumas espécies ocorrem também na orla marinha. A destruição crescente das matas ciliares em algumas regiões do Brasil está prejudicando grandemente os alcedinídeos; cursos d’água poluídos são também abandonados por eles.
Os Martins-pescadores não são bem quistos pelos criadores de alevinos devido as suas preferências alimentares.
No Brasil são encontradas 5 espécies.